Publicado por: humanonaohumano | março 14, 2010

Entrevista sobre Veganismo

Olá!

No post de hoje divulgo uma entrevista realizada comigo no programa Tribuna Livre, da TV ALESE, uma emissora local. Fui convidado pelo programa para falar sobre veganismo e obviamente abordei temas como ética,  meio-ambiente, alimentação, etc. Além disso, o programa serve também como uma forma de esclarecer alguns mitos a respeito do veganismo e sucitar questões relevantes em respeito a nossa relação com outros animais.

Confiram e divulguem!

*Postei o vídeo no Vimeo pela possibilidade de deixá-lo na íntegra, mas em breve publicarei em partes menores no Youtube.

Publicado por: humanonaohumano | fevereiro 17, 2010

Continuidade Humano-Animal

Li um artigo interessante essa semana e gostaria de trazê-lo para a discussão. O texto, de autoria da antropóloga holandesa Barbara Noske, chama-se: Two Movements and Human-Animal Continuity: Positions, Assumptions, Contradictions. (2004)

Neste texto Barbara Noske esboça tipos ideais tanto para o “movimento animal” (bem-estar animal, direito animal, etc.), quanto para o “movimento de ecologia profunda” (deep green/deep ecology), afim de comparar suas posições em relação a continuidade humano-animal.

De forma simplificada, o que a autora destaca é que há uma contradição nos dois movimentos quando se trata de uma percepção mais coerente da natureza. No caso dos defensores dos animais, por exemplo, os mesmos percebem a continuidade humano-animal (ou animal-humana) e a destacam principalmente na percepção da senciência. Neste sentido, a senciência permite aos defensores dos animais considerarem os animais enquanto indivíduos, com interesses que tem valor em si. Por outro lado, Noske percebe que a maioria desses mesmos defensores não consegue ampliar a esfera de consideração moral para além da senciência. Noske quer destacar na verdade que é fácil constatar no movimento animal uma certa indiferença para o “não-senciente”, para o “resto da natureza”, por assim dizer. Desta forma, outros entes naturais como plantas e árvores, ou ainda inorgânicos, como rios, montanhas, etc. não são levados em consideração com o mesmo afinco ou são considerados apenas de forma indireta, ou seja, importam na medida que importam para os sencientes.

No outro extremo da comparação está o movimento de ecologia profunda que por sua vez também enxerga a continuidade humano-animal, se percebendo então dentro da própria idéia de natureza, mas não trabalha com a idéia de valor individual (senciente). A defesa dos animais feita pelo movimento de ecologia profunda se dá na medida em que estes (animais) fazem parte de um ecossistema maior e que este ecossistema deve manter-se equilibrado. Assim, podemos entender como adeptos deste movimento as vezes se colocam a favor de atitudes como caça recreativa (algo que conectaria o homem ao seu “eu” mais natural), controle populacional por envenenamento,  etc. Uma vez que o equilíbrio ecossistêmico esteja conservado, a senciência não deve configurar uma questão relevante. É apenas um subproduto da vida animal.

Dessa forma, embora ambos os movimentos tenham uma intenção em comum, que é a superação do antropocentrismo enquanto paradigma para entender nossa relação com a natureza, a autora classifica o primeiro grupo (movimento animal) como praticante de um reducionismo individualístico (Individualistic reductionism) e o segundo (movimento de ecologia profunda) como praticante de um reducionismo ecossistêmico (Ecosystemic reductionism).

Na mesma linha de raciocínio, Noske ainda nos apresenta a questão da Empatia desincorporada X Antipatia incorporada (Disembodied empathy versus embodied antipathy). A autora explica que a continuidade humano-animal também deve ser vista da forma oposta (animal-humana) para que também possamos perceber nossa “animalidade”. Como tal movimento custa a perceber isto, não consegue de fato viver esta interação com a natureza, está sempre desconectado. Assim, tal movimento sofre de uma Empatia desincorporada, nas palavras da própria autora: A empatia é real mas sua base material é esquecida.

Por contraste, o movimento de ecologia profunda ainda que incentive o homem a ter uma interação mais real com o que entende por natureza (selvagem, ecossistêmica), comumente é indiferente ao sofrimento causado a diversos outros animais domesticados por exemplo. Isso poderia ser caracterizado como uma Antipatia incorporada: A continuidade humano-animal é percebida, mas ao invés de empatia é freqüentemente acompanhada por um desdenho pelos seres que não mais vivem naturalmente nos ecossistemas apropriados.

Sempre que possível tento descobrir autores das ciências sociais ligados a este tipo de discussão. Barbara Noske, antropóloga, foi uma dessas descobertas e até então me trouxe contribuições interessantes. Recomendo o texto.

Até a próxima.

Publicado por: humanonaohumano | fevereiro 11, 2010

Saudações aos possíveis leitores!

Olá, meu nome é Ivo Delmondes e sou mestrando em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe. Minha área de pesquisa é Tecnologia e Sociedade, mais especificamente na forma como o desenvolvimento tecnológico afeta nossa relação com os outros animais. Como sei que o material nas Ciências Sociais no Brasil ainda é curto quando se trata dessa temática, resolvi criar um blog com a intenção de divulgar informação sobre esta temática, ajudar pessoas que tem interesse na mesma e conhecer pessoas que também possam contribuir para minha pesquisa nessa área.

No blog irei disponibilizar alguns textos (inclusive alguns de minha autoria) relacionados a relação entre humanos e outros animais, além de comentários sobre livros, artigos, notícias, vídeos e qualquer outro material que seja relevante para a discussão dessa temática. Esse espaço tem o intuito de divulgar o pensamento social sobre a relação entre humanos e outros animais e pensar o mesmo de forma crítica. O site estará sempre disponível para comentários, sugestões e contribuições para discussões.

HUMANO OU NÃO-HUMANO?

Quem já tem alguma leitura na área de ética animal, sabe que é corriqueiro o uso do termo “animal não-humano”. O mesmo começou a ser utilizado por eticistas justamente na tentativa de romper com uma barreira linguística que aparentemente foi se deu por uma construção social. A questão seria que usualmente quando queremos nos referir a outros animais utilizamos apenas o termo “animal” para tanto, mas geralmente a identificação deste outro ser enquanto “animal” quer também estabelecer um limite, uma oposição, onde aparecemos como humanos e separados da categoria “animal”, a qual obviamente também fazemos parte. Dessa forma o termo “animal não-humano” acaba tendo uma intenção política e social e quer lembrar sempre que possível que também somos animais.

Ainda assim, a utilização deste termo não é consensual. Alguns argumentam que a classificação dos outros animais como “não-humanos” os caracterizam justamente pelo que eles não são: humanos. Algo como chamar uma mulher de “não-homem”, ou uma pessoa negra de “não-branca”.

Mesmo que conscientes da problemática linguistica aqui estabelecida, há quem opte pela praticidade de se usar a expressão “humanos e animais”, já que são os termos comumente estabelecidos e podem ser facilmentente identificados pelas pessoas. Ainda assim, há também quem opte em utilizar a expressão “humanos e OUTROS animais”, pois desta forma ainda podemos considerar o humano enquanto animal e destacar a existência de outros sem precisar relacioná-los necessariamente aos humanos. Pessoalmente tendo a utilizar esta última forma destacada.

Em sites de língua inglesa é comum identificarmos as discussões nessa área tanto como “Human-animal Relations” quanto como “Human/Nonhuman Relations”. A American Sociological Association por exemplo utiliza de forma claramente intencional na descrição da seção Animals & Society* a expressão “humanos e OUTROS animais”. Por outro lado, a British Sociological Association utiliza a distinção clássica entre humanos e animais (Animal/Human Studies Group) e eventualmente o termo nonhuman (não-humano).

Assim, consciente desta confusão de termos e intenções, resolvi chamar o site de HUMANO NÃO HUMANO afim de ilustrar a questão e brincar um pouco com a significação dúbia destes termos.

Enfim, sejam bem-vindos!

* The purpose of the Section on Animals and Society is to encourage and support the development of theory, research and teaching about the complex relationships that exist between humans and other animals. In the process, it is anticipated that the light we shed on these issues will increase the well-being of both humans and other animals.



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